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O Homem sonha e a obra nasce

Foram vários meses de trabalho intenso, para que em junho de 2016, abríssemos as portas do nosso sonho. Não podemos em momento algum deixar de recordar e partilhar o nosso agradecimento aos nossos colaboradores, à nossa família, aos nossos amigos e a todos os que acreditaram. Cá vai a história do local….

A minha Guimarães. Nasci em Guimarães e apesar de ter passado muitos anos fora, a trabalhar e a construir a minha carreira, o regresso esteve sempre presente no meu pensamento e no meu coração. Guimarães respira mar e montanha, vive a sua história cujo maior simbolismo é o centro Histórico património da UNESCO. Ao longo dos anos construiu a sua própria identidade cultural tornando-se numa cidade vibrante e dinâmica. Guimarães está demasiado perto de tudo, tão cessível a tudo, a tão só 40 minutos do aeroporto Francisco Sá Carneiro e do Porto de Leixões, demasiado próxima do Atlântico tomando também aqui uma posição privilegiada enquadrada no Eixo Atlântico. Aqui, ainda se veem as marcas deixadas em 2012 pela Capital Europeia da Cultura e em 2013 pela Cidade Europeia do Desporto. Marcas estas que, segundo um amigo entendido, dotaram o nosso território de uma notável capacidade de atração de grandes eventos. Guimarães é feita de “gentes”: “trabalhadores, estudantes, investigadores, turistas, imigrantes permanentes ou passageiros que lhe reforçam a vocação universalista e a pintam de todas as cores, tornando-a, indiscutivelmente, um destino turístico internacional de excelência.”

E assim é a minha Guimarães….

Um dia, e depois de meses à procura do local ideal para a Cozinha, um amigo levou-me a um sítio escondido numa praça do Centro Histórico. Eu tinha a certeza que queria que o restaurante tivesse uma posição central pois considerava que a localização poderia ser mais um fator de sucesso. Queria que o restaurante fosse central mas ao mesmo tempo escondido… Aquela praça era sombria e até um pouco escura e fria. Ali, aquele amigo mostrou-me uma ruína. Uma ruína ….

Bem, há muito tempo atrás, muito mesmo tive um restaurante chamado Ruínas construído de uma ruína, propriedade do meu saudoso amigo Zé Conde, o Conde de Paço a Viera.

Não me chocava portanto, construir e sonhar sobre uma ruína….

Não tive dúvidas de que aqui seria a Cozinha. Aqui, no Largo do serralho nº 4. E são muitas histórias que se contam e se escrevem deste Largo. Aqui, foram identificados vestígios de uma casa-torre de Guimarães, denominada Domus Fortis, comuns do Norte de Portugal, que integraria numa cronologia entre finais do século XII e meados do século XIII. Para ajudar a localização deixo-vos um texto de Maria Adelaide Morais sobre Santa Maria de Guimarães, Nossa Senhora da Oliveira, versando a toponímia de Guimarães, onde se faz referência à localização geográfica do Largo do serralho:

“A segunda rua a desviar da Praça de Santiago, estreita mal dando passagem a um carro, foi cognominada Dr. António da Mota Prego, notável jurisconsulto. Viveu nas suas cercanias, na nobre casa de seu antepassado, Tadeu Luís António Lopes de Carvalho da Fonseca e Camões, mecenas vimaranense, iniciador do Palácio de Vila Flor, no Cavalinho arredores da Vila. A rua foi do Espirito Santo, foi da Cadeia, que ali era gradeada e triste, limitada a Judiaria, dobrava-se para poente. Travessa da Cadeia, ali o Serralho, Guêto encoberto, pouco aprofundado no seu viver, nos costumes, na integração no quotidiano da vila.”

Aqui próximo existiu uma cadeia. Por esse motivo, o Largo do Serralho também foi denominado de Travessa da Cadeia ou Largo da Cadeia. Foi conhecido por ser uma rua da Judiaria medieval, onde a comunidade judaica usufruía de um espaço chamado Quintã dos Sapateiros que se estendia pelo antigo largo do Serralho e Rua do Espírito Santo. Ainda assim, é interessante não esquecer que Serralho significa palácio dos príncipes maometanos, residência do sultão, uma dependência do palácio onde estão as mulheres encerradas, um harém portanto, no sentido figurado prostíbulo por isso, este Largo, durante muitos anos era também conhecido como o Largo das Alcoviteiras pois aqui, dizia-se que se encontravam as responsáveis pelos arranjos para os casamentos.

O Largo do Serralho é a moradia d’a Cozinha mas também é a moradia de muitos vizinhos que nos dizem bom dia, que nos saúdam quando conquistamos algo, que nos guardam o correio quando não estamos, que tomam conta da nossa casa, que nos estimam.

Aqui somos. Aqui somos felizes.